EDUCAÇÃO EM DESTAQUE

Postado em March 10, 2008  • 

ANÍSIO SPINOLA TEIXEIRA

SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO

1947 A 1951

 

 

 

 

Nasceu na cidade baiana de Caetité, a 12 de julho de 1900, filho de Diocleciano Pires Teixeira e Ana Spínola Teixeira. Em 1907, iniciou os estudos primários com os Jesuítas no Colégio São Luís de sua cidade natal, realizando os estudos secundários no Colégio Antônio Vieira, de Salvador, a partir de 1914. Em 1922 bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. Foi nomeado em 1924 Inspetor Geral de Ensino do Estado da Bahia. No ano seguinte realizou a primeira viagem à Europa, observando os sistemas escolares da França, Bélgica, Itália e Espana. Em 1926 inaugurou a Escola Normal de Caetité. Comissionado por lei, viajou aos Estados Unidos em abril de 1927 para realizar estudos de organização escolar. No ano seguinte publicou seu primeiro livro, Aspectos americanos de educação, com suas observações sobre a América do Norte. Em 1928, voltou aos Estados Unidos para um curso de 10 meses no Teachers College da Universidade de Colúmbia, em Nova York, quando se familiarizou com o pensamento de John Dewey, e em 1929 escreve a introdução à tradução brasileira do livro Vida e educação, de John Dewey, que traduziu, editado pela Melhoramentos. "A pedagogia de Dewey" é o título dessa introdução. Nesse mesmo ano, graduou-se como Master of Arts especializado em Educação pela referida Universidade. Regressando ao Brasil, foi nomeado catedrático de Filosofia e História da Educação da Escola Normal de Salvador, função que exerceu até 1931, quando começou a atuar em nível federal, integrando a Comissão encarregada dos estudos relativos à reorganização do ensino secundário no País. Ao mesmo tempo, participou intensamente das articulações para o lançamento do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, divulgado em 1932. Foi designado em 1932 Superintendente do Serviço Geral de Inspeção dos institutos de ensino secundário, pelo Ministro Francisco Campos. Também em 1932 publicou o segundo livro, Educação progressiva - uma introdução à filosofia da educação. No mesmo ano casou-se com D. Emilia Telles Ferreira, em Salvador. Atendendo a convite de Pedro Ernesto, prefeito do Distrito Federal, foi nomeado, em 1931, Diretor do Departamento de Educação do Distrito Federal, mais tarde Secretaria , cargo que exerceu até 1935. Em abril de 1935, completou a montagem da rede de ensino do Rio com a criação da Universidade do Distrito Federal (UDF). Ao lado da Universidade de São Paulo (USP), inaugurada no ano seguinte, a UDF mudou o ensino superior brasileiro, mas ela foi extinta em 1939, durante o Estado Novo. Em 1935, perseguido pelo governo de Getúlio Vargas, Anísio demitiu-se do cargo de Secretário de Educação do Distrito Federal em 1º de dezembro de 1935 e refugiou-se em sua cidade natal, onde viveu até 1945. Nesse período, não atuou na área educacional e se tornou empresário. Em 1946, ele assumiu o cargo de conselheiro da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). No ano seguinte, com o fim do Estado Novo, voltou ao Brasil e novamente tomou posse da Secretaria de Educação de seu Estado. Nessa gestão, criou, em 1950, o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, em Salvador, a Escola Parque. Em 1951, assumiu o cargo de secretário-geral da Campanha de Aperfeiçoamento do Pessoal do Ensino Superior (Capes) e, no ano seguinte, o de diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (Inep), onde ficou até 1964. Anísio foi um dos idealizadores da Universidade de Brasília (UnB), fundada em 1961. Ele entregou a Darcy Ribeiro, que considerava como seu sucessor, a condução do projeto da universidade. Em 1963, tornou-se reitor da UnB. Com o golpe de 1964, acabou afastado do cargo. Foi para os Estados Unidos, lecionar nas universidades de Columbia e da Califórnia.Voltou ao Brasil em 1965. Em 1966, tornou-se consultor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Morreu em 11 de março de 1971, de modo misterioso. Seu corpo foi encontrado no poço do elevador de um edifício no começo da Avenida Rui Barbosa, no Rio. A polícia considerou a morte acidental, mas a família do educador suspeita de que ele possa ter sido vítima da repressão do governo do general Emílio Garrastazu Medici.

Autor: Fernando Paixão

 Fonte:D.O.E./Arquivo SEC/CMIC

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